2007-03-06

CORTE RENTE

(partilha-ost-Nela Vicente)
(poema criado em parceria com um poetinha que muito admiro- Wanderson Lana)

Meu coração não bate mais
e ainda é tão cedo.
Não lavei meu rosto, nem olhei tuas fotos.
Estou em dores.
- dormi sobre o braço esquerdo.

Impregnado em meu corpo,
ainda estão nossos votos.


É sempre a mesma coisa,
o mesmo sintoma.
Não ter-te ...dói como corte rente.
Retire da minha casa esse doce aroma,
Dê-me o direito à solidão que todo amante sente.

Estou cansado dos sorrisos falsos,
De sempre amar por dois... de fingir.
Quero a solidão que já não faz tão mal,
Quero me trancar,
chorar e me ferir.

Não tente me reencontrar agora.
Sinto-me perdido nas levianas promessas,
balbuciadas em noites de paixão,
sem vergonha alguma...
e com muita calma.

Não sinto raiva de tuas pérfidas juras,
Mas sinto esta dor me consumir
Nas noites mal dormidas e medonhas...
- Já nem desejo ter-te junto a mim.

Se faz tarde aqui
E por ai talvez já nem te lembres
Que fostes minha e eu teu,
Enquanto meu lembrar faz doer em mim,
A dor de tua ida sem adeus.

Que vertam em pranto as artérias
E sangre a pálida lágrima da manhã,
feito cera líquida que escorre da vela,
já quase morta em tua última chama.

Que me sobeje então...esta dor perversa,
Que me reste este que de não.
Que não me valha mais a tua prece
Pois nada me serve além da solidão.

Deixe-me !
quero dormir novamente
Sobre meu próprio braço.
Isso é melhor que as mentiras
Dos anos novos envelhecidos,
dos natais morridos juntos,
Dos aniversários mal comemorados
E tantos sonhos mal vividos.

Retire da minha alma
esse doce aroma.

Dê-me o direito à solidão
que todo amante sente.

Wanderson Lana & Maria Eugênia
Janeiro de 2007

Um comentário:

Celso disse...

Amei ter passado por aqui.